Blefaroespasmo: O Que É, Sintomas, Causas e Tratamento Neurológico

O que é blefaroespasmo?

O blefaroespasmo é uma condição neurológica caracterizada pela contração involuntária e repetitiva dos músculos ao redor dos olhos. Esses espasmos podem começar como um piscar frequente e evoluir para fechamento forçado das pálpebras, prejudicando a visão e a qualidade de vida.

Essa condição é considerada um tipo de distonia focal, um distúrbio do movimento em que os músculos se contraem de forma anormal, sem controle consciente.

Principais sintomas do blefaroespasmo

  • Piscar excessivo e involuntário

  • Fechamento súbito e forçado das pálpebras

  • Dificuldade para manter os olhos abertos

  • Sensação de cansaço ou dor nos olhos

  • Visão embaçada ou dificuldade visual, especialmente durante crises

  • Sintomas que pioram com luz intensa, estresse ou cansaço

Em estágios mais avançados, o paciente pode apresentar incapacidade funcional de abrir os olhos, o que interfere em atividades como ler, dirigir, trabalhar e até caminhar com segurança.

Causas e fatores de risco

O blefaroespasmo é uma condição neurológica funcional, ou seja, não está relacionado a lesões estruturais do cérebro, mas sim a alterações no controle motor do sistema nervoso central. Mais especificamente por se tratar de distonia sabemos que há uma alteração de redes neuronais. As causas exatas ainda não são totalmente conhecidas, mas sabe-se que fatores como:

  • Predisposição genética

  • Exposição a luz intensa

  • Estresse crônico 

  • Alterações emocionais

O blefaroespasmo pode fazer parte da síndrome de Meige, quando os espasmos se estendem também para a mandíbula, língua e pescoço.

Diagnóstico neurológico do blefaroespasmo

O diagnóstico é clínico, realizado por neurologista com experiência em distúrbios do movimento. Em alguns casos, podem ser solicitados:

  • Vídeos para documentação dos espasmos

  • Eletromiografia (EMG) dos músculos da face

  • Testes para excluir outras causas (ex: miastenia gravis)

Tratamento com toxina botulínica

O tratamento de escolha para blefaroespasmo é a aplicação de toxina botulínica tipo A (Botox® , Xeomin®, Dysport® ou similares) diretamente nos músculos da pálpebra. Esse tratamento:

  • Reduz os espasmos

  • Melhora a função visual

  • Alivia a dor e desconforto

  • Aumenta a qualidade de vida

Por que aplicar toxina botulínica com neurologista?

A aplicação de toxina botulínica para condições neurológicas deve ser realizada por médico neurologista capacitado, com conhecimento anatômico e funcional detalhado. Em muitos casos, é necessário a eletromiografia ou ultrassom para guiar a aplicação, garantindo precisão, segurança e melhores resultados.

Outros tratamentos complementares

Embora a toxina botulínica seja o principal tratamento, outros cuidados podem ajudar no controle dos sintomas:

  • Óculos escuros ou com lentes fotossensíveis

  • Lubrificantes oculares para olho seco

  • Técnicas de relaxamento e controle do estresse

  • Tratamento de comorbidades emocionais (ansiedade, depressão)

Casos refratários podem ser avaliados para uso de medicações neurológicas ou, em situações muito específicas, intervenções cirúrgicas com oftalmologista especializado.


Texto de cunho educativo e não substitui a avaliação médica.

Criado por: Dr. Guilherme Cristianini Baldivia - CRM-SP 197053 - RQE 98601



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Referência científica:

-Defazio, G., Hallett, M., Jinnah, H. A., & Berardelli, A. (2017). Blepharospasm: Clinical features, diagnostic criteria, and differential diagnosis. Nature Reviews Neurology, 13(9), 527–539. https://doi.org/10.1038/nrneurol.2017.127

-Hallett, M. (2014). Blepharospasm: Recent advances. Neurology, 83(13), 1179–1184. https://doi.org/10.1212/WNL.0000000000000808

-Fahn S. et al. Principles and practice of movement disorders. 3ed. Elsevier. 2022


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